C.J. Alves Redol: Entrevistas

Rita Barbosa - A capitã das Seniores
Rita Barbosa
Tendo começado a jogar no Moscavide a Rita Barbosa veio para o nosso clube no 2º ano de Junior, tendo começado imediatamente também a fazer parte da equipa de Seniores. Com a saída da Elsa Doninha a sua escolha para capitã foi natural, devido ao seu enorme empenho e dedicação, função que tem cumprido com imenso rigor e sentido de responsabilidade.

CJAR - Com que idade começaste a jogar ?
RB - Com 9 anos, no Minibasket do Atlético Clube de Moscavide.

CJAR - Como te caracterizas enquanto jogadora ?
RB - Humilde, inteligente, com fair-play, jogo para o colectivo, sou criativa. Treino com muito afinco para aprimorar estas características.

CJAR - Já alguma vez te propuseram ir jogar para outro clube ?
RB - A única vez em que isso aconteceu foi quando fui convidada a vir para o Alves Redol. O convite foi para mim uma honra, porque sempre vi este clube como bom formador de jogadoras e com excelentes equipas e resultados.

CJAR - Eras capaz de trocar o Alves Redol por outro clube ?
RB - Só se estivesse envolvido muito dinheiro, mas muito dinheiro mesmo, porque me sinto muito bem aqui. Porque aqui aprendo bastante, tenho evoluído muito desde que cá cheguei, não só a nível técnico mas também pessoal porque neste clube também há uma boa formação a esse nível, o que no meu ponto de vista é essencial ao bom desenvolvimento das atletas.

CJAR - Alguma vez imaginaste puder chegar à 1ª Divisão ?
RB - Há 10 anos atrás não, porque estava num clube sem projecção, mas no fundo sempre tive a certeza de que, num clube com mais condições e com melhores atletas, conseguiria trabalhar arduamente para o conseguir.

CJAR - Alcançaste os teus objectivos desportivos na época passada ?
RB - Colectivamente conseguimos manter-nos na 1ª Divisão e disputar novamente o Play-Off, que eram os objectivos propostos. Individualmente melhorei muito em termos físicos já que, devido às lesões de algumas jogadoras, tive que jogar muito mais e acabei por superar algumas das dificuldades que tinha em jogar muito tempo.

CJAR - Alguma vez marcaste um auto-cesto ?
RB - Já, marquei uma vez em Arruda dos Vinhos. Era cadete e foi no seguimento de um lance-livre : ganhei o ressalto e lancei sem pensar em mais nada.

CJAR - Qual é para ti o melhor jogador ?
RB - Sempre fui fã do Charles Barkley, pela sua forma irreverente de jogar, que contrasta com a minha forma calma de jogar.

CJAR - Já alguma vez tiveste alguma lesão que te impedisse de jogar ?
RB - Felizmente nunca. A única lesão que tive aconteceu durante as férias, mas consegui recuperar a tempo de jogar no campeonato. Sou de ferro !!!

CJAR - Quais foram as dificuldades que sentiste quando começaste a jogar na 1ª Divisão ?
RB - Acima de tudo é difícil fazer frente às atletas estrangeiras que as outras equipas utilizam, o que desequilibra os jogos a seu favor. Também foi muito difícil passar a perder muitos jogos, pois estávamos habituadas a vencer com maior regularidade e a nossa auto-estima foi abalada. Foi necessário passar a retirar coisas positivas das derrotas, muitas delas por uma margem reduzida de pontos.

CJAR - Quais as expectativas para a época de 2003/2004 ?
RB - Em termos colectivos penso que vamos estar melhor, porque este será o 3º ano na 1ª Divisão e os 2 primeiros foram de aprendizagem. Com as novidades que podem surgir a equipa tem condições para estar mais forte e vencer mais do que os 4 jogos de cada uma das épocas anteriores. Como a evolução tem sido grande e visível de certeza que esta época correrá melhor.

CJAR - Se pudesses pedir 3 desejos, para ti e para a equipa, quais seriam ?
RB - Um para mim seria continuar a jogar durante mais alguns anos; para a equipa gostava que as pessoas que estão permanecessem durante mais algum tempo, para continuarmos a treinar juntas; o último seria evidentemente ganharmos os jogos necessários para subir à Liga Feminina, o que seria o concretizar de um sonho.

CJAR - Vês-te a jogar daqui a 10 anos ?
RB - Claro, desde que a vida profissional o permita porque a nível pessoal ou físico não há qualquer impedimento.

CJAR - Qual a mensagem que queres deixar para todas as jovens jogadoras ?
RB - Primeiro que tudo é necessário gostar do basquetebol de forma incondicional e treinar com disciplina e empenho. Posso dizer que tudo o que tenho feito pelo basquetebol tem sido feito com imenso prazer e sem qualquer obrigação. Também gostaría de dizer a todos os que jogam, ou vão iniciar a sua prática, que devem tentar jogar o máximo de tempo que puderem, pois é uma óptima oportunidade para travar excelentes amizades.

( Entrevista realizada por Isabel Moreira )


O mediático "Jasão"
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É reconhecido por "Jasão" e é, provavelmente, o atleta mais mediático do Clube de Jovens Alves Redol.
Nasceu e viveu parte da sua juventude em Moçambique, e foi tmbém nesse país que praticou pela primeira vez a modalidade de basquetebol.
Tinha apenas 16 anos quando veio para Portugal, na altura do 25 de Abril,altura esta revolucionária, que decerto também "revolucionou" a sua vida.
Depois de muitas voltas, veio parar até ao nosso clube onde, por razões óbvias, se mantém até hoje.
"Jasão" é o entrevistado, e contou-nos como tudo se passou, desde Moçambique até Vila Franca de Xira.

Como era o desporto em Moçambique?
O basquetebol, ao contrário do que se possa pensar, tinha muito êxito.
A modalidadde era praticada por qualquer um e, principalmente nas escolas e nas ruas, todos gostavam do basquetebol.

Porquê o basquetebol?
Sempre gostei da modalidade, e foi partir das escolas do mini-basket e de jogar na rua que começei a jogar.

Tinha algum sonho quando começou a jogar ?
Não, nenhum! Jogava apenas por prazer.

A mudança para Portugal em ambiente de revolução, veio alterar alguma coisa na sua vida?
Sim, claro que sim. Uma pessoa não sabia o que iria acontecer para o futuro!

Foi difícil a adaptação no desporto?
Não, não foi dificíl.

Como é que entrou no basquetebol português e qual foi o seu primeiro clube em Portugal ?
Tinha 16 anos quando me apresentei no Sporting Clube de Portugal com intenção de treinar. Eles ofereceram-me logo dinheiro para jogar, o que achei mal, pois era menor, e acho ridículo um menor assumir qualquer contrato, mas lá fiquei. Depois do Sporting, ainda joguei no Estrelas da Avenida e no Estoril.

Recorda-se dos momentos mais felizes e dos momentos menos felizes da sua carreira?
Já tenho muitos anos de carreira, e é provável que os tenha tido, mas já não me recordo.

Tem alguma superstição ?
Não, nunca tive.

Quando se iniciou no basquetebol qual era o seu ídolo?
O Carlos Lisboa.

Hoje, já no Alves Redol , na 2ª Divisão B, aposta na equipa de seniores?
Da equipa de Seniores não se pode esperar muito, sendo sincero, não estou a falar dois atletas em particular, mas sim no geral, pois levam o basquetebol como um "hobby" , e cada atleta tem o seu trabalho...é dificíl também com poucos treinos...é dificíl.

Fazendo um "check up" nos escalões do clube, acha que o Alves Redol tem futuro nas camadas jovens?
Sem dúvida! Apesar de achar que também aqui são poucos os treinos para ajudar a progressão dos atletas.
As Seniores vão muito bem, e poderão ir mais além.
São um motivo de orgulho pelo facto de não termos nenhuma estrangeira.
Mas acima de tudo, as camadas jovens terão futuro se se empenharem cada vez mais.

O que mudaria no clube ?
Primeiro que tudo aumentava o número de treinos.
Acho extremamente essencial que se treine muito, pois eu cheguei onde cheguei graças ao meu treino diário, e não depende de estar num grande clube ou não, tudo depende da evolução que se pode adquirir num bom treino. Agora numa forma geral, sem ter a ver com o Clube, é também necessário um bom pavilhão, no que infelizmente a Câmara não investe. Faz muito falta na nossa zona existirem mais pavilhões desportivos.

Na sua opinião, quem é que deve ser o/a próximo/a entrevistado/a ? porquê?
Penso que deveria ser a Paula Barbosa, porque ela é sem dúvida um talento de rapariga que mostra jogo após jogo que gosta do que faz.

Se lhe pedir para deixar uma mensagem para todos os que têm o sonho de serem "alguém" no mundo mágico que é o basquetebol , o que diria?

Que não faltem aos treinos. Treinem o mais possível e que tenham vontade própria para progredir.


Alves Redol "Um clube de sucesso"
mesquita
O Desporto no Concelho de Vila Franca de Xira, tem tido uma evolução digna de registo. Isto é uma consequência da política desportiva da Câmara Municipal. No princípio do mês de Dezembro, o jornal “O Desporto Jovem“ publicou uma entrevista com Alberto Mesquita, Vereador do Desporto e da Cultura, da qual retirámos as referências ao nosso clube:

“Nós continuamos muito disponíveis para continuar a desenvolver o desporto no nosso concelho e para criarmos condições em algumas modalidades que vão tendo alguma expressão.
O basquetebol no nosso Concelho, está a ter um incremento bastante interessante e pensamos que a aposta é exactamente no mini-basquetebol, na formação, para que os jovens continuem depois a sua actividade desportiva.
Temos o exemplo do Alves Redol. É uma experiência muito rica, não é a única, mas existem muito poucas. Com o sucesso da Alves Redol não conheço, a nível do país, nenhum clube. Um clube que é originário de uma escola secundária, que continua ligado a essa mesma escola, com atletas originários da escola, cujos treinadores e dirigentes são antigos alunos dessa mesma escola e que, efectivamente, conseguiram uma coisa notável, que é estarem na primeira divisão sénior do escalão feminino. Obviamente que nós, Câmara Municipal, temos vindo a acompanhar este trajecto do Alves Redol e tem sido um clube bastante apoiado, porque merece. Há um critério muito simples nestas coisas. Quem trabalha bem, merece ser apoiado e para nós, o clube Alves Redol é uma referência no panorama desportivo do nosso Concelho. Eu, pessoalmente, fico bastante orgulhoso que estes jovens tenham conseguido ao longo destes anos fazer este trabalho, que é um trabalho, absolutamente notável".


Basket no descrédito
ms
É por demais conhecido o imbróglio relativo às dívidas dos respon- sáveis (?) do Leiria Basket para com treinadores e jogadores da equipa. Mas até à data, e quanto a soluções, têm-se ficado pelas promessas. Diz a sabedoria popular que dos fracos não reza a história. O certo é que quem tem seguido o problema leiriense fica com ideia contrária.

Mário Silva, primeiro treinador do Leiria Basket na presente temporada, foi estranhamente despedido ao fim de alguns meses de bom trabalho. Ainda que com a sua vital energia um pouco desgastada, nem assim desistiu da luta em defesa dos jogadores, de si próprio e da classe dos treinadores.
— Quanto tempo poderá durar a sua luta?
— Embora tenha ganho o processo no Tribunal de Trabalho, não descansarei enquanto não receber o dinheiro a que tenho direito. Ao fim e ao cabo aquele com que o tribunal condenou o clube. Continuarei a lutar ao lado dos jogadores, também eles vítimas de incumprimentos e falsas promessas. Enquanto houver justiça tudo farei para que a mesma seja feita. Aproveito para alertar os meus colegas treinadores para deixarem de pensar que o mal só acontece aos outros. É uma situação cómoda mas não colectiva, constituindo um péssimo exemplo para quem dirige uma modalidade em que o colectivismo é palavra de ordem. A imagem positiva que o basquetebol tinha está a entrar, perigosamente, no descrédito. Deste caso do Leiria Basket há que tirar, além das notícias de circunstância, as devidas ilações, até porque outros poderão estar na forja. Podem estar cientes de que não me calarei, até porque quem cala consente. Não estou para engrossar o lote dos técnicos que esperam milagres.
— Qual a intervenção da Associação Nacional de Treinadores [ANTB] neste caso?
— A ANTB tem plena consciência destes problemas limitando-se a cumprir um protocolo que fez com a Liga e que necessita de ser revisto. Os treinadores sempre procuraram contribuir para a melhoria da Liga, mas o protocolo não pode servir apenas para punir técnicos pelo uso de gravatas ou pelo que dizem nas conferências de Imprensa. Em caso de conflito laboral há que recorrer aos tribunais. Pese o empenhamento de Evaldo Poli, presidente da ANTB, para alterar a situação, não faz sentido ser o treinador a pagar ao advogado. Valha a verdade que os sócios da Associação esquecem-se de pagar uma quota suplementar estipulada para ajudar ao pagamento dos advogados... Julgo que a recente criação do Tribunal Arbitral vai ser muito útil para a rápida solução destes casos. Entretanto, seria importante que os clubes fossem impedidos de inscrever técnicos enquanto o problema com o substituído não estiver solucionado. Insisto na tecla de que os treinadores não devem pensar apenas em si, mas também no mundo que os rodeia.
— Acredita no profissionalismo?
— Acredito por pensar que as crises não são mais do que etapas do desenvolvimento. A Liga portuguesa não deveria ultrapassar os dez clubes. De momento há 13 e julgo não ser correcto insistir para que entre mais um. O público acaba por se cansar de tantos jogos, alguns deles completamente vazios de interesse. Dirigentes, treinadores e jogadores deveriam aprender com os erros, tomar medidas e abandonar a teoria do faz-de-conta, à espera de saber quais os próximos a serem enganados. Por outro lado deveria ser feita uma análise mais cuidada das candidaturas. Não se devem aceitar projectos de candidatura, mas sim projectos com garantias que podem ser cumpridos. Resta agora que o Leiria Basket seja aceite nas provas federativas como se nada se tivesse passado.
— O que correu mal no caso do Leiria Basket?
— Infelizmente tudo! Desde o início ficou claro que nunca houve capacidade empresarial. Tal como o clube era fantasma também o era o anunciado apoio de um grupo de empresas. A Câmara de Leiria nunca apoiou um projecto de que duvidava e que, posteriormente, demonstrou ter razões para isso. Este, e outros casos, levam-me a pensar que caminhamos alegremente para o abismo. Até lá os dirigentes andam entretidos com a calendarização, os treinadores com as contratações e ninguém se preocupa com a eliminação dos problemas de fundo.